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quinta-feira, abril 29, 2010

Estou na moda, sou listrada – na cor branca e preta

Assim como os açorianos neste Vale de Araranguá, dessa forma, mestiços, todos temos o pé na senzala. Na foto do Carnarroio, atribui-se: "teu cabelo não nega a mulata".

Foi ousado o tema abordado nos enredos das escolas de samba do Carnaval de Rua de Balneário Arroio do Silva (extremo sul de Santa Catarina), o Carnarroio. Embora a Copa do Mundo teve sua sede na África do Sul, tratar de uma questão étnica nessa região composta por sua maioria descendentes de italianos, alemães é um risco a correr. E também ficou subentendida a relação brasileira ou dos brancos com a negra ou afrobrasileira. Com mais aprofundamento, os responsáveis poderiam abordar a realidade social dos negros no país e na região como vivem a minoria com cor e o acolhimento catarinense de comunidades inteiras de negros, consideradas remanescentes de Quilombos, aqui mesmo no sul no interior de Praia Grande, os quais vivem como se ainda fugissem, em lugares isolados e de difícil acesso, longe de qualquer civilização.

Vale lembrar o perfil de lutador, destreza e bravura presente nos negros, além do caráter fraterno e hospitaleiro, talvez uma herança dos antepassados que batalharam até a morte, sem nunca desistir da vida. Tive o privilégio de visitar durante meu estudo de TCC (Trabalho de Conclusão de Curso) uma família de quilombolas, que me recebeu carinhosamente em seu recanto simples e humilde, na minha “terrinha vermelha”, o Paraná, nos cafundós de São Miguel do Iguaçu, o que gerou num documentário, intitulado: Nos Cafundós da Liberdade.


Teaser do primeiro documentario sobre a colonização negra da região Oeste do Paraná.

África - um país de extrema pobreza e com marcas dolorosas por séculos de torturas, como se fossem estigmas cravados no mais profundo sentimento, resultado do Apartheid e principalmente martírios cometidos até mesmo pelos brancos (portugueses, ingleses e britânicos), o que infelizmente não se fez entender na abordagem do assunto das escolas de samba. No momento, o que parece na divulgação das mídias sobre a Copa, é que tenha se passado uma borracha neste passado, dando espaço para considerar como uma nação bonita, abrigando milhares de pessoas de todo o mundo sem a menor estrutura, que agora os estrangeiros ‘claros’ abraçam qualquer “banguelo de pé sujo, sem chinelo, de pele escura”, coisa jamais imaginava se fazer nas favelas do Brasil.

Está certo que Carnaval é alegria, “fuzuê”, “azaração”, sem nenhum respaldo, porém a meu entender essa festa brasileira só tende a piorar sua imagem país afora pela conotação ligada a sexo, drogas e folia, o que na verdade como em muitas culturas populares, poderia ser explorada como uma festa folclórica e cultural.

Embora a família Correia, Quilombo de São Miguel do Iguaçu, não tenha sentido na pele as demonstrações de desprezo por parte da raça considerada como maioral, quando recordado as histórias dos seus antecedentes causa muita dor, pois o passado é sim um tempo atual, por ficar na memória e ser o empurrão para o futuro. Mas o povo negro, alguns é claro, não guardam mágoa nem rancor com as injustiças cometidas, desse modo, ações afirmativas como as cotas são para muitos indícios de discriminação entre etnias, pois não compreendem esta regalia, no entanto, caso estes negros fossem judeus, a história seria outra, porque este último povo não deixa por menos, se juntam, criam regras rígidas de comportamento e relacionamento, como se cada aflição dos seus avôs estivessem afloradas na sua pele.

Obrigados a virem nos navios, os negros trouxeram muitas benfeitorias para a formação brasileira. Causamos sua morte e lhe demos muitas surras e em troca, nos ensinaram suas graças e deram sabor novo a nossos costumes.


Assim caminha a Terceira Idade

Cidadãos anônimos entre os outros. Anônimos nas decisões. Anônimos permanecem em grupos classificados como Terceira Idade ou conforme caracterizados pelos órgãos públicos, a expressão carinhosa – Melhor Idade.

Vivem em rotinas quase idênticas, alguns para saírem da monotonia interagem nas atividades dos netos e bisnetos, arrastam o pé no matinê ou permanecem dia após dia a se encontrarem e se reencontrarem com os amigos da velha vanguarda.

Não há pressa. Nem comprometimento, o relógio deles não tem ponteiro, pois essa nova fase da vida permite conversas longas e prolongadas horas adentro. Talvez nestes momentos sentem como se cada instante fosse uma eternidade, porque eles cronometram mais um dia de vida, afinal mal sabem qual destes companheiros irá primeiro.

Nada importa, porquanto haja força e na espera de uma passagem sem sofrimentos. Tudo isso durante a existência é tão vazio se for analisar. O que importa tanta grana, suor, malandragem se quando chega a hora de descansar, a idade já não ajuda mais. Agora que pode viajar, festar, ter prazer é quando se está idoso.

Idoso para resolver seus planos, depende dos outros para decidir. Já não são levados a sério e nem se considera sua imagem. Feliz daquele idoso que sobrevive com humor, com boas energias ou mesmo, trabalhando até a morte no que gosta e lhe dá tesão e orgulho.


Como é a morte para as religiões. O que significa a morte para um budista?


- Na visão espiritualista de um modo geral, algo sobrevive após o fenômeno da morte física. O espiritualista admite a existência da alma ou do Espírito e, portanto, ao morrer, independente do gênero de morte ou desencarne, a alma ou espírito sobrevive, continuando a viver no mundo espiritual.

- Segundo o budismo, a vida é eterna. Ela não acaba com a morte. Para o budista há um paralelo entre a morte e o sono. Assim como um descanso noturno é necessário para acordamos bem dispostos na manhã seguinte, a morte representa um estado latente, durante o qual as energias são recarregadas para o renascimento ou uma nova vida.

- Já no cristianismo, a morte física também é uma separação. Quando o corpo está separado do espírito, ele está morto (Tiago 2:26). Eclesiastes 12:7, diz que isto é o que acontece no fim da vida física: "O pó volte à terra, como o era, e o espírito volte a Deus, que o deu".


Inauguro aqui uma nova postagem com assuntos, agora de Araranguá (SC), onde trabalho atualmente.
Na foto, "senhores" de avançada idade marcam presença nos bancos do Restaurante Plaza na Avenida Getúlio Vargas (centro), local este para prosear, criticar a política ou curtir a vida como "boêmio".

segunda-feira, setembro 28, 2009

Na contramão da incapacidade

Esporte em cadeiras de rodas leva jogadores à seleção
Depois de um trágico acidente e meses no hospital, deixando sequelas a uma menina que hoje faz parte do quadro de 930 mil pessoas em cadeiras de rodas no Brasil, ela lançou-se ao desafio de arremessar ao gol suas angústias.
Não optando pelo isolamento, Iane Caroline Rodrigues, 13 anos, estimula outras pessoas do município de São Miguel do Iguaçu a buscarem alternativas de superarem o trauma, iniciando a prática de esportes.
No início a opção foi difícil. Foram cinco cadeirantes para treinar, muitos não faziam atividade física e era uma modalidade nova. Atualmente o time de Handebol em cadeiras de rodas conta com 15 jogadores de São Miguel do Iguaçu e Medianeira. De onde sairão atletas convocados para a Seleção Brasileira de Handebol em Cadeiras de Rodas - as São-miguelenses Vanusa da Silva Pinto e Iane Caroline Rodrigues e o Medianeirense Giuliano de Lazari comemoram a conquista de representar a cidade.
A capacidade neste esporte é definida pela auto-afirmação, pois o atleta começa a conhecer suas dificuldades, seus limites, porém se surpreende com a superação, pois de acordo com o treinador Ronaldo Alves eles descobrem que são capazes de realizar atividades que acreditavam inalcançável devido aos comprometimentos.
Embora seja significativo o resultado, o número de deficientes físicos que entram em competições esportivas é pequeno. A primeira Paraolímpiada, em 1960, reuniu 400 esportistas em cadeiras de rodas. Mais tarde em 1996 o número surpreendeu, foram 4.912 atletas no Paraolímpiado. Nesse, o Brasil levou 58 esportistas.

Da esquerda uma pequena poliomelite que prejudicou o caminhar. Da direita, a garota com olhos de esmeralda foi vítima das agressões no trânsito, e hoje não pode correr como qualquer criança

O conformismo com os movimentos reduzidos não é expresso nas características desses jogadores. O encontro com o esporte quebrou o tabu da incapacidade, apontados como diferentes ou anormais. “Queremos que o deficiente seja visto normal tanto no esporte como no mercado de trabalho. Em nossa associação temos contatos com empresas com deficientes em seu quadro de funcionários, os quais confirmam que a produção é como qualquer outra pessoa”, considera Flávio Gedoz da Associação dos Deficientes Físicos de Medianeira (Pr), 35, outro jogador e cadeirante.
Para Vanusa e Iane, o esporte trouxe também uma nova visão à sociedade. “Despertou a curiosidade das pessoas e puderam ver que o deficiente físico tem muita garra e não desiste no primeiro obstáculo”, concordam elas.
Uma rifa foi lançada para os jogadores conseguirem treinar com cadeiras apropriadas. Mais informações no 9944 8781.
Na firmeza de segurar a bola, a certeza de quebrar obstáculos

quinta-feira, setembro 17, 2009

Nos cafundós de São Miguel do Iguaçu, a cultura negra mostra a face com cor do Paraná

A descendente de negros apresenta a fruta Apepu que deu nome a comunidade

Em 20 de novembro será comemorado a consciência negra. Essa data traz a lembrança que São Miguel do Iguaçu tem o privilégio de possuir num distrito, uma comunidade quilombola, formada por mais de 20 pessoas afrodescendentes.
Para ser reconhecido como remanescentes de quilombo, a comunidade deve ter descendentes de escravos, cor da pele negra, viver em comunidade, desenvolver trabalho que compartilham o cultivo. Além de continuar com as tradições, tais como medicina natural (ervas), agricultura familiar, artesanato, folclore e partos caseiros.
A história de vida da comunidade é memorável porque trata de uma luta pela sobrevivência, que ia além dos limites físicos. “Vejo que é um reconhecimento do papel histórico negro, em âmbito nacional, além de procurar recompensá-los pelos abusos e trabalhos explorados antigamente”, diz a assistente social, Eliane Simonatto.
Rafaela, Aurora, Zacarias e Josefa Correia são os quatro irmãos que habitam os quilombos em Apepu, onde são dez alqueires, destinados a subsistência das famílias.
Os avós da família Correia eram escravos de uma fazenda em Minas Gerais, e quando foram libertados vieram para Laranjeiras do Sul, no Paraná, após, trabalharam na região oeste na rodovia do Parque Nacional (antiga estrada de Guarapuava). Em troca dos serviços prestados na região receberam terras, onde atualmente residem. “Eles não visam o lucro e status, mas o conhecimento e a liberdade, tendo como princípio a valorização com os mais velhos e com as mulheres”, finaliza Eliane.
Inicialmente em agosto de 2006, a comunidade passou por um processo de certificação, através da Secretaria Estadual de Educação. Em novembro de 2006 foram reconhecidos. Atualmente existem no Paraná, 34 remanescentes de quilombos.
Morada simples com pessoas simples. Uma vida em comunidade, levada de forma humilde. É o que qualquer pessoa poderá encontrar na comunidade quilombola, localizada no distrito de Apepu – São Miguel do Iguaçu. Porém essas pessoas agora têm mais a contar do seu passado e do seu futuro.

Curiosidade
A curiosidade do dia foi saber o significado do nome da comunidade. Segundo o irmão mais velho, Zacarias Correia, Apepu é pelo fato daquela localidade quando ainda era mata, ter sido rodeada de plantas nativas com uma laranja da origem Apepu. Um fruto de casca grossa, com gosto azedo. E ainda é encontrada essa árvore na comunidade.

Educação
Outra novidade está na alfabetização dos moradores de Apepu. Seis deles estão voltando a estudar, onde se deslocam à área urbana para frequentar o Centro de Estudo para Jovens e Adultos de São Miguel do Iguaçu. Os demais quilombolas recebem a didática escolar na própria casa, com uma professora que mora na comunidade.

Biblioteca
A Eletrosul, ligada ao governo federal, entregou no ano passado livros para formação de uma biblioteca para a comunidade quilombola. Zacarias é um dos que voltaram a estudar. Assim, ele e os demais tornaram a leitura como algo mais frequente.O representante da Eletrosul voltou a São Miguel do Iguaçu, no dia 15 de maio, para entregar um computador à comunidade.

Tradições
Religião católica, uso de ervas medicinais e partos caseiros são tradições da família quilombola. A 3 km de onde moram se localiza a igreja católica construída em 1945 pelos avôs dos irmãos Correia, na época era de madeira, e agora os moradores a reformaram em alvenaria.
A quilombola Rafaela Correia fala do aprendizado com meios naturais, passados por sua mãe Dejanira Correia. Ela realizava muitos partos de crianças ali na comunidade na década de 60, quando ainda São Miguel do Iguaçu estava no início de sua colonização. Além disso, Dezanira utilizava medicamentos retirados da natureza para tratamento de saúde dos filhos.A pequena igreja de poucos metros quadrados foi construído após promessa do pai dos Correia. De madeira se tornou alvenaria. Cultos e pagamentos de promessas ainda são celebrados neste espaço

Tarefa árdua: lixo no lugar certo

Assim ‘seria’ a regra: da prateleira do mercado a garrafa pet de refrigerante vai para a mesa da dona de casa. Suponha-se que depois dela consumir, lave e amasse, e coloque a garrafa numa sacola, junto a outros materiais plásticos. Em seguida leva - os a algum posto de coleta seletiva, local onde os ‘coletores’ fazem a separação, prensam e pesam esses recicláveis, os quais serão vendidos a uma empresa de reciclagem. O processo não termina nesse instante, da reciclagem a garrafa de refrigerante do tipo pet poderá se transformar em roupas, produtos automobilísticos ou bolsas.
Quase tudo - papel, papelão, plástico, vidros, ferros, metais, latas, madeiras - pode ser reciclado. Pensemos assim: como exemplo, a dona de casa, que conhece a coleta seletiva da sua cidade. Ela organiza seu lixo – limpa e separa- o, a fim de chegar ao destino certo.
A coleta seletiva significa “colocar o lixo no lugar certo”, isto é, ter cestas para cada tipo de lixo. E os chamados “coletores ou catadores de materiais recicláveis” são responsáveis em recolher os lixos para a separação adequada.
A principal idéia da coleta está em evitar que os lixos reutilizáveis não cheguem a aterros ou lixões. Com o sistema, as cidades diminuem o transporte dos serviços públicos, e principalmente, contribuem com o meio ambiente.
Vale qualquer adaptação pela renda

Trabalho de catação
Em alguns lugares do Brasil, a reciclagem já é feita por ‘catadores’ que recolhem de porta a porta os materiais recicláveis, sem coincidir com os dias e horários dos serviços normais de limpeza. O IBGE 2003 estimou que existem no Brasil, 500 mil desses catadores autônomos, recebendo um pouco mais de um salário mínimo.
Na maioria dos municípios da região oeste do Paraná isso ocorre. A coleta é realizada por catadores, como em São Miguel do Iguaçu que há cerca de 75 catadores; em Missal são cerca de dez, e em Foz do Iguaçu existem hoje, mais de 200 catadores, tanto autônomos, quanto de associações.














Ação ambiental que virou emprego

Lixo paranaense
Os brasileiros geram aproximadamente 120 mil toneladas diárias de lixo doméstico, desse modo quer dizer que cada habitante no Brasil gera uma média superior a um quilo por dia., segundo revista saneamento ambiental.
Cada habitante de São Miguel do Iguaçu, oeste do Paraná, gera quase 119 quilos por mês de lixo domiciliar, numa população de 27.704 moradores. Entre esse lixo, estão os recicláveis que ‘devem’ se destinar a coleta seletiva, como exposto na tabela, onde dos quase 119 quilos de lixo domiciliar gerado em São Miguel do Iguaçu por mês, apenas 80 mil são recolhidos pelos catadores.
Cada um desse material segue uma categoria, ou seja, refere-se a valor em R$. O que aparentemente, não se tem mais uso torna-se fonte de renda as famílias dos 75 coletores de São Miguel do Iguaçu. Um dos catadores da AMAR – Associação dos agentes de Meio Ambiente e Reciclagem de São Miguel do Iguaçu, Nilton da Rosa, fala como cada material reciclável, de acordo com sua natureza e condições, possui um valor. “Recebemos no plástico do tipo pet 15 centavos por quilo, vai depender do tipo do material”, finaliza. Segundo ele, o papel também vale 15 centavos o quilo, e o plástico do tipo cristal vale 23 centavos o quilo.
Para a assistente social Paula B. Godoi há necessidade dos catadores de São Miguel do Iguaçu serem mais capacitados, para assim, aprenderem sobre o seu modo de trabalho. “Deveria ser investido mais na capacitação dos agentes de meio ambiente, quanto à área financeira e de venda de materiais recicláveis, evitando a exploração das empresas compradoras”, finaliza.

Investimentos – “Coleta Solidária”
Os catadores de materiais recicláveis são reconhecidos como profissionais pelo Ministério do Trabalho e Emprego. Por ser formado por grupos é necessário que se organizem, tanto por cooperativas, quanto por associações.
Com interesse na questão ambiental dos municípios lindeiros da região oeste do Paraná, a Itaipu Binacional desenvolveu o projeto “Coleta Solidária” do Programa Cultivando Água Boa, distribuindo equipamentos de trabalho aos catadores: uniformes, botas, luvas e carrinhos. Abaixo, dados do projeto Coleta Solidária da Itaipu:

Números do Projeto Coleta Solidária:
Catadores atendidos e organizados..... 2.300
Catadores capacitados........................... 1.667
Barracões em funcionamento.................... 23
Cooperativas.................................................. 4
Carrinhos doados....................................1.636
Uniformes doados.................................. 3.323
Prensas e balanças doadas......................... 48
Municípios atendidos na BP3..................... 29
Municípios atendidos fora da BP3............... 2
Fonte: Itaipu Binacional

O Projeto Coleta Solidária que falta muito para ser 'solidária', devido a não conscientização da sociedade paranaense

Lixos causam: contaminação dos rios, poluição do ar com o gás liberado, ruas sujas, proliferação de insetos e de ratos. Sem a organização das cidades e sem a consciência sobre o papel de quem ajuda a manter sua cidade limpa, como estes catadores, de nada adianta investimentos.
Se na sua cidade há coleta seletiva feita por catadores, organize seu lixo! Um bom começo, seria: limpar e separar os resíduos para contribuir com a eficiência dos coletores.Para que os mais de 1kg consumido por dia não chegue aos aterros, inicie a sua coleta!

quinta-feira, setembro 10, 2009

Doar energia
Indiferença não oprime superação
Literalmente com a mão na roda, cadeirantes fazem gols conquistando espaço

Deficiência física, como considera o exposto na legislação “é a alteração completa ou parcial de um ou mais segmentos do corpo humano, comprometendo a função física”. Essa recomendação não faz parte do dia-a-dia de um grupo de atletas da região. Para eles, difícil mesmo é ficar fora de uma partida ou deixar de treinar três vezes por semana.
Não fazem da cadeira um obstáculo, mas alavanca para seguirem em frente, marcando espaço em uma quadra, antes só frequentada pelos chamados “atletas”.
Para fugir dos números frios de pesquisas como a do IBGE em 2000, codificando 930 mil pessoas em cadeiras de rodas só no Brasil, eles botaram o time na quadra e mostraram que apesar da marca ‘cadeirante' seja ela adquirida por acidentes ou enfermidades, é possível concentrar as arquibancadas para vibrar por um novo time.
Assim se revela outro significado sobre valores morais, através de novas interpretações depois destes 15 cadeirantes de São Miguel do Iguaçu e Medianeira – região oeste do Paraná - darem o primeiro passo, com a mão na roda mostram a garra e a persistência.
O time iniciou com cinco jogadores em outubro do ano passado, contando com um projeto acadêmico de dois professores, Anselmo de Athayde Costa e Silva e Douglas Borella. Hoje as duas cidades se encontram afim de tornar o jogo um crescimento moral e social, tanto para eles quanto para a sociedade. “A cada dia de treinamento, eles descobrem que são capazes de realizar movimentos e atividades que acreditavam ser impossíveis, devido aos comprometimentos”, diz o treinador Ronaldo Alves.
Como para o esporte não existe limites. A afirmação se confirma na intimidade com a bola, na adrenalina de estar em quadra e na flexibilidade entre empurrar à cadeira e quicar a bola. “O handebol para mim é superação e mudança na imagem de como o deficiente é visto”, observa Juliano Neris, 33, cadeirante e aluno do HCR (Handebol em Cadeiras de Rodas), o qual possui deficiência devido à cirurgia mal sucedida.

O não movimento das pernas, não impossibilita acertar a mira desejada


Precisa-se de colaboradores para doar energia!
Como treinador e também educador físico, Ronaldo Alves completa que as habilidades que o esporte proporciona vão muito além. “Eles não possuíam uma vida social ativa, conheciam poucas pessoas, e saindo de casa para praticar um esporte, se sociabilizar com outros deficientes, melhorou a auto-estima deles e os faz mais felizes”, finaliza.
A dificuldade dos que têm condições reduzidas em deslocar pela cidade perturba e aumenta a exclusão social. Existem leis que prescrevem a inclusão social dos deficientes, como a 7853, de 24 de outubro de 1989, fala que são estabelecidas normas para “assegurar os direitos individuais e sociais (...) e sua efetiva integração social”.
No entanto, para os participantes do Handebol em Cadeiras de roda, andar na cadeira se tornou uma aventura. Segundo o presidente da Associação dos Deficientes Físicos de Medianeira Eliseo Portela, não é possível acompanhar uma sessão da Câmara, nem um jogo no ginásio municipal, nem freqüentar a biblioteca pública que é localizada no piso acima do Banco do Brasil, nem um evento teatral no Centro Popular de Cultura Arandurá.
A acessibilidade é norma para todos os edifícios públicos, aprovados na Constituição Federal e outros regulamentos. Os desafios não podem impedir uma vida compartilhada com os demais. O esporte fez com que os novos esportistas demonstrassem que as dificuldades da mobilidade física jamais poderia abalar um desejo, mesmo que este seja jogar handebol. Agora, eles querem ultrapassar obstáculos e vencer campeonatos. Três atletas deste time já foram convidados para participar do Itajaí Cup 2009, disputando para outros municípios. “Para 2010 pretendemos ir com nosso time para o Itajaí Cup”, relata Ronaldo Alves.
Qualificação não falta, o esperado é treinar com cadeiras adaptadas. Em São Miguel do Iguaçu, a Prefeitura é quem cede o professor de Educação Física, equipamentos esportivos e ginásio.
Para que aqueles percalços urbanos não motivem ao isolamento, a sociedade pode colaborar doando energia a estes cadeirantes esportistas para que continuem nessas perspectivas com qualidade.
O time aproveita para agradecer aos primeiros colaboradores, Naty Modas, Posto Marzinho e Brighente Malhas. Faça como esses empresários e seja você também um parceiro do time de Handebol em Cadeira de rodas de São Miguel do Iguaçu.
Incentive essa nova modalidade! Mais informações no (45) 9944-8781 com Ronaldo.
A seguir, o documentário Espaço à deficientes, mostra um exemplo de como o pré-julgamento das habilidades de uma pessoa com necessidades especiais está completamente ultrapassado. A acessibilidade não é assunto antigo, ainda vai ser muito debatido até que se tomem consciência que todos necessitam de acessos, desde uma mãe com seu bebê, um idoso ou deficiente.

quarta-feira, setembro 09, 2009

Vontade de mudar: trajetória de uma família que escolheu o Paraguai para viver

As dificuldades de ser ‘brasiguaio’ não abalaram a Família Bordgnon na confiança de melhorar de vida


Da sua cidade, de seu país de origem para um caminho, ou melhor, uma “terra” diferente. Diferente em língua, em pessoas, em costumes, enfim, viver em uma nova forma de cidadania.
Esse é o desafio que historicamente muitos agricultores brasileiros e
nfrentam para possuir terras no país vizinho, o Paraguai. Com o intuito de buscar novas oportunidades, acaba causando uma mudança no seu modo de vida.
Umas das famílias que são movidas pelas promessas de solos férteis do outro lado da Fronteira são da região Sul do Brasil, e para que fossem hoje donos dessas terras batalharam durante anos na agricultura.
Um exemplo é o agricultor Hugo Bordgnon que há 30 anos investe nas terras do Paraguai. Ele emigrou do oeste do Paraná, da cidade de São Miguel do Iguaçu para a República Paraguaia em 1971.
Sua propriedade agrícola é na cidade de Los Cedrales – a 30 Km de Ciudad del Este – primeira província ligada a Foz do Iguaçu. A cidade era uma fazenda de um brasileiro, que aos poucos comercializou suas terras.


Trajetória de luta
Um casal simples com três filhos em uma modesta vida no estado de Santa Catarina, mas com um pensamento voltado a mudança de vida, segue o rumo de outras pessoas (amigos) que diziam que no Paraná as propostas de trabalho para a agricultura eram boas. Hugo Bordgnon não pensou duas vezes e foi parar no interior da cidade de São Miguel do Iguaçu – oeste do Paraná.
Hugo e sua esposa constituíram uma grande família na cidade de São Miguel do Iguaçu, desde 1965 – quando chegaram ao Paraná, deixando a casa cheia com dez filhos (atualmente). Naquela época, eram maiores os conceitos comunitários dentro de uma família, onde cada ente familiar colaborava com o serviço da vida de campo. Bordgnon sabia muito bem o que era isso. Ensinou a cada filho como ter dignidade, ser trabalhador, lutar pelas suas terras, criar uma família, e principalmente administrar essas terras.
Ainda no distrito de Sanga Funda – em São Miguel do Iguaçu, o dia-a-dia de Hugo e sua família era batalhar pela subsistência, sempre com a idéia de chegar a uma vida estável. O suor que o sol quente, a poeira da terra vermelha, a falta de obra-prima sentidos no Paraná, não eram motivos para que a família Bordgnon desistisse.


Mudança de planos
‘De repente’, Hugo resolve mover sua história novamente, porém dessa vez não apenas trocar de Estado, mas agora de país.
Um país desconhecido, num momento de colonização do território, índice populacional baixo, falta de estrutura urbana, em divisa com o Brasil de livre entrada e saída de qualquer civil – esse era o Paraguai na década de 1970. Após um ano, Hugo atravessa a Fronteira e dá continuidade a sua batalha, mas em meio a outro modo de vida.
Nada foi fácil, com a indicação de novas pessoas (parentes) Hugo foi com a família para o Paraguai em 1971 e começou ‘tudo’ denovo na cidade de Los Cedrales – próximo a Ciudad del Este, a qual antes de se tornar um município foi propriedade de um único fazendeiro brasileiro.
O trabalho braçal foi seu início, tendo de sustentar seus sete filhos, que o acompanharam. Com o fruto do trabalho obtido no interior de São Miguel do Iguaçu deu entrada para a compra de 14 alqueires, cultivando hortelã e algodão finalizou o pagamento. “Teve uma vez que meu caminhão atolou e tive de jogar duas vacas e um aparelho de boi para fora do caminhão”, comenta Hugo sobre o Paraguai em 1972, quando era escassa a estrutura urbana do local.
Entre os dez filhos de Hugo Bordgnon, um já era independente, sete foram com ele para o Paraguai (estudaram no Brasil até a sexta série fundamental), e dois deles ficaram no Brasil estudando. Trabalho e mais trabalho! O tempo era insuficiente. Naquele período eram comum as pessoas do meio rural não terminaram os estudos, pois acreditavam que um pouco de estudo bastava para saberem se defender na vida. “Meus filhos estudaram só para se defenderem”, cita Hugo.

Má recepção e dias difíceis
Ao chegarem no Paraguai debateram com uma diversidade de idéias, costumes, culturas, língua e essencialmente, legislação.
O lugar que escolheram morar era de território dos paraguaios. Qualquer comportamento chamava a atenção por serem de outra origem. Muitas vantagens levaram Hugo para o Paraguai, porém as dificuldades foram surgindo.
Pontos positivos dos solos paraguaios fazem com que qualquer agricultor sonhe alto. Começando pelo valor das terras. No Brasil o preço por alqueire é de 40 mil e no Paraguai é de 25 mil reais, além do imposto de terra do país vizinho ser menor, relata Hugo. “Lá no Paraguai as terras são mal empregadas, essas condições poderiam ser no Brasil, porque além de férteis são mais baratas”, diz ele.
Mesmo depois de Hugo ter seu pedaço de terra, comprando de maneira legal os 14 alqueires, a convivência paraguaia não era favorável. Cada passo maior era motivo de descontentamento. “Os paraguaios não tratam muito bem os brasileiros. Parecem ter inveja do nosso crescimento, porque ficam duvidando de como ‘nós’ conseguimos mudar de vida tão rápido”, observa.
Até os objetos pessoais incomodam os civis do lado paraguaio. “Parece que não há lei no Paraguai, retiram os objetos dos brasileiros, e as autoridades de lá não fazem nada para impedir. Passei por isso quando comecei a morar lá”, comenta Hugo.

Motivo e problemas de ocupação brasiguaia
O Paraguai é um país pouco desenvolvido, mas possui condições de compra de terra adequadas e com baixo preço. Por isso a emigração de brasileiros para o Paraguai foi tão intensa nas décadas de 60 e 70. Os brasileiros sendo proprietários de grandes percentuais de terras ocasionaram uma tensão com o país vizinho, ou seja, possuir terras é um dos problemas de ser brasiguaio.
O limite de terras conforme a lei da faixa de fronteira amedronta ainda mais os brasiguaios. Ainda não se houve falar muito, mas de acordo com o Consulado brasileiro o governo paraguaio tenta colocar em prática. Portanto muitas famílias donas de terras do país vizinho podem estar habitando de maneira ilegal.

Valeu a pena!
Mudança repentina, pensamento positivo pela oportunidade de melhorar de vida – foram características que levaram Hugo Bordgnon a chegar aonde chegou. Em Santa Catarina dizia não viver muito bem, quando chegou no Paraná a vida também foi difícil. E acredita que entrando no país de Fronteira muita coisa mudou. “Valeu a pena todo este esforço. Na agricultura as condições de vida são melhores no Paraguai, tanto que os meus sete filhos moram lá e nem querer voltar para o Brasil”, finaliza.

O ‘Fim justificou os meios’
Nos dias de hoje, Hugo Bordgnon segue com 50 alqueires para a produção de soja, também na cidade de Los Cedrales, onde dividiu entre os sete filhos, que administram estas terras e moram no local com suas famílias. Hugo mora com a esposa em São Miguel do Iguaçu e vai para estas terras toda a semana.